Projeto “Isso É Trap Vol. 2“ chega às plataformas com o acompanhamento de audiovisuais para todas as faixas
Brandão acaba de lançar “Isso É TrapVol. 2”, já disponível em todas as plataformas digitais. O projeto dá continuidade ao movimento iniciado em 2025 com o primeiro volume e apresenta um arco mais íntimo, visual e conceitual. Com o novo lançamento, o artista retoma a essência do gênero enquanto amplia sua própria narrativa, reforçando o lugar de protagonismo que ocupa hoje dentro da cena.
Se o Volume 1 mostrou que o trap vai além da música, conectando público e cultura por meio de experiências e ativações, o Volume 2 mergulha nas origens da ligação do artista com o trap. Nas faixas, Brandão se aprofunda na própria trajetória, trazendo referências, vivências e conflitos que moldaram sua identidade. “Eu quis mostrar o caminho inteiro, não só a vitória. É sobre quem eu fui, o que eu vivi e o que eu precisei aprender pra continuar aqui”, resume o artista.
O resultado é um trabalho mais cru e confessional, onde cada som carrega um recorte dessa construção. Ao longo da mixtape, Brandão transforma memória em linguagem e reforça sua capacidade de traduzir o trap como vivência e não apenas estética. É esse olhar que o coloca como uma das principais vozes da nova geração, um artista que não só acompanha a cena, mas dita seus rumos, influenciando som, discurso e comportamento dentro do gênero.
Os visuais do projeto serão disponibilizados com exclusividade no Spotify à 0h, reforçando a experiência visual que acompanha a mixtape. Já no YouTube apenas o clipe de “BENÇA” sobe no mesmo dia do lançamento, enquanto os demais audiovisuais chegam à plataforma no dia 16, às 21h, em uma estratégia pensada para trazer os vídeos como apoio narrativo, mantendo o protagonismo exclusivamente no álbum.
A parte 2 da mixtape chega na sequência do impacto de “Isso É Trap Vol. 1”, que alcançou + 100 milhões de streams em menos de um ano de lançamento. Além disso, o álbum estreou no Top 200 álbuns do Spotify Brasil, alcançou o Top 10 na segunda semana e se manteve por oito semanas entre os álbuns mais ouvidos do país, conquistou o Top 1 de Hip-Hop/Rap na Apple Music e entrou no Top 10 Albums Debut Global. Agora, com o Volume 2, Brandão não apenas aprofunda esse ciclo, mas também reafirma seu papel como um dos principais responsáveis por empurrar o trap brasileiro para novos territórios sem perder a essência que fundou o movimento.
Isso é trap?“BENÇA” abre a mixtape com energia máxima e sem pedir licença. Com beat acelerado, repetição quase hipnótica do refrão e uma intro em inglês que já coloca o tom, Brandão transforma a abertura em um manifesto direto sobre crédito e reconhecimento dentro do trap. Entre críticas a artistas que “vivem de advance” e afirmações de protagonismo, ele se coloca no centro da cena (“eu tô ditando a merda desse jogo”). A faixa, carregada de intervenções sonoras e atitude, funciona como declaração de poder logo na largada do projeto.
Com cenas em São Paulo e em Fortaleza, o audiovisual transita entre dois ambientes que juntos constroem uma dualidade entre fé e conquista. Nas cenas da igreja, a estética é carregada de simbologia religiosa. Nas cenas externas, o artista aparece diante do muro pichado com a capa e a tracklist de Isso É Trap Vol.1, acompanhado de um pitbull com focinheira, retratando a agressividade que as letras carregam. As placas comemorativas dos 100 milhões de streams dos dois projetos, CEO & ISSO É TRAP, também aparecem em quadro, ancorando o clipe em um momento de celebração e retrospectiva da trajetória.
“OK” desacelera e apresenta uma atmosfera mais melódica. O trecho “ahn… ok!”, que carrega o nome da música, funciona quase como um respiro entre os versos, criando um loop que guia a batida. O clipe gira em torno da ideia de evolução e conquista: as primeiras cenas se passam na sede nova da empresa ainda em obras, simbolizando o processo, o que está sendo construído. A narrativa então migra para o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, um hub cultural já consolidado da cidade de Fortaleza, que representa o resultado, o que já foi alcançado.
“PARIS” acelera novamente com uma construção sonora intensa e cheia de camada, com o verso “vou gravar um clipe” surge de forma solta, quebrando a lógica da canção e adicionando ainda mais personalidade. O vídeo acompanha Brandão e sua namorada, Desiree, em Paris, capturando cenas reais do cotidiano da viagem, compras, metrô, malas e ruas da cidade. Após essa primeira parte, na virada do beat, as imagens se alteram para cena no túnel com vibe parisiense, como se os dois tivessem pegado um carro importado para dar um rolê pela cidade, uma mudança de energia que simboliza conquista e superação. A narrativa central é a de conhecer o mundo e explorá-lo como resultado de muito trabalho.
Logo depois aparece “WARZONE”, que foi lançada antecipadamente como uma abertura intencional do projeto. Nela, Brandão transforma a lógica de sobrevivência em narrativa direta. A referência ao universo dos jogos de tiro funciona como ponto de partida, mas rapidamente dá lugar a um retrato cru da realidade que atravessa sua trajetória. “Caponga tá igual warzone, tem metralhadora”, canta.
“BLUNT DE GOIABA” aparece em sequência e condensa muitas ideias em pouco mais de dois minutos de duração. Entre reflexões sobre dinheiro e maturidade, ele expõe um raciocínio direto, sem pausa (“não posso colocar sentimento à frente dos negócios”) enquanto revela o custo emocional da própria ascensão.
O clipe da faixa apresenta uma proposta intimista e centrada no processo criativo. O artista aparece no estúdio de gravação, de fones, cercado de blunts Backwoods. Uma cena crua e honesta que dialoga diretamente com a letra. Durante o vídeo, as telas de fundo do estúdio apresentam em segundo plano o meme da Goiaba e do ônibus, como elemento visual, trazendo humor e identidade cultural para um clipe que, no fundo, trata de um momento sério de virada na trajetória do artista.
“JAQUETA DA BAPE” reforça a estética mais flex da mixtape, com rimas que misturam português e inglês o tempo todo e ampliam o repertório de referências. A faixa apresenta um trecho falado que promove uma quebra na musicalidade e reforça o discurso, especialmente quando puxa o Nordeste para o protagonismo. Passando por ostentação, velocidade e trabalho constante, Brandão equilibra confiança e consciência, deixando claro que o jogo é estratégia: “não posso cochilar porque qualquer vacilo tu cai numa trap”.
O audiovisual celebra a estética icônica da marca BAPE, que altera de cor ao longo do vídeo, criando um efeito visual dinâmico e estilizado. Dentro da moldura, o artista aparece em um estúdio fotográfico vestindo peças e casacos da grife, em um clima editorial e fashion. O detalhe criativo central está nos macacos característicos do camuflado da BAPE, que foram editados com o rosto do artista, criando uma fusão entre o universo da marca e a identidade do Brandão, uma declaração visual de pertencimento a esse mundo.
Já “MOOD“, que vem em seguida, já começa com um áudio feminino que a coloca em um lugar mais sensorial. A interpretação do artista vem arrastada, como se estivesse imerso no próprio estado que descreve. O clipe começa com Brandão tomando um double cup, e a partir daí o visual se dissolve em uma experiência sensorial: cores vibrantes, takes em delay, cenas texturizadas e efeitos que distorcem a percepção do tempo, criando uma atmosfera sonolenta e densa, como se tudo estivesse acontecendo sob o efeito de codeína.
Em seguida, “MILAGRE” equilibra melodia e intensidade em um fluxo próprio. Brandão estica os versos, quase cantando cada linha, mas mantém a velocidade nas ideias, criando uma dinâmica única. O refrão, “acho que eu vivi um milagre”, aparece mais melódico e carregado de emoção, enquanto o “amém, ok” se repete como um mantra dentro da estética sonora do trap. O trecho falado em que ele diz ter “escapado da morte” se conecta diretamente com o acidente recente, adicionando uma camada real à narrativa e reforçando o tom de sobrevivência que a atravessa.
O clipe também traz o diferencial de ser “dois em um”. Começa “MILAGRE” e passa para a faixa seguinte – ambas muito conectadas com a história toda do álbum e a profundidade que o mesmo tem para o Brandão. Nas dunas e retratando o amanhecer, as imagens mostram o céu que vai gradualmente clareando conforme o clipe avança, uma construção visual que reforça a ideia de renovação, iluminação. A natureza é protagonista tanto quanto o artista, e o tempo real do amanhecer dá ao clipe uma sensação orgânica e espiritual.
Em “FÓRMULAS & MIRAGENS”, Brandão questiona padrões e provoca a cena ao refletir sobre o que é, de fato, trap. Com versos curtos e rimas encaixadas em sequência, ele constrói uma relato ácido sobre autenticidade, denunciando fórmulas prontas e a presença de personagens que, para ele, não vivem o que cantam. A letra reforça seu posicionamento como alguém que observa, antecipa movimentos e segue fiel à própria trajetória dentro do gênero.
A segunda parte da narrativa que começa no audiovisual da faixa anterior acontece na Praia Leste-Oeste, em um cenário cercado por ruínas de construções antigas desativadas e depredadas. A praia, muito conhecida pelos moradores de Fortaleza, sofre um certo preconceito por estar localizada próxima a uma comunidade periférica. O ambiente carregado e esquecido dialoga diretamente com a letra: Fórmulas e Miragens que ninguém vê. Aqui, o artista habita esse espaço como quem enxerga o que os outros ignoram, transformando um lugar abandonado em cenário de profundidade e significado.
Na música seguinte, “BUG NA MATRIX”, Brandão reflete sobre sua própria ascensão, tratando suas conquistas quase como um “erro do sistema”. Trazendo um certo tom de ironia, a canção mistura introspecção e ostentação, reforçando a sensação de deslocamento de quem saiu de um contexto improvável para ocupar um novo lugar, como se estivesse operando fora das regras. Fiel ao nome da faixa, o clipe foi gravado inteiramente à noite na praia da Caponga, com quadriciclos, e segue uma estética propositalmente confusa, criando a sensação literal de uma falha. O resultado é um clipe que usa a própria linguagem do erro como estética, transformando o bug em conceito visual.
“JAPONÊS”, por sua vez, é o feat com Matuê, lançado no fim de 2025. Fruto da conexão genuína entre os dois artistas cearenses, o single reitera a identidade do Brandão e seu papel de influência e referência dentro do trap. A presença de Matuê reforça ainda mais esse contexto, fortalecendo o movimento underground..
“ROCKSTAR” traz Brandão e Desirée em uma faixa onde os dois dividem protagonismo por igual. Quando ela canta “meu namorado é um rockstar”, a linha ganha um peso ainda mais pessoal. Já a proposta do clipe, que mostra ambos no estúdio, é retratar o processo criativo de forma descontraída e autêntica. O conceito é simples e direto: dois artistas vivendo uma vida rockstar.
“COMIGO MESMO” é guiada por um ritmo envolvente, próximo do estilo característico do Brandão. Na letra, ele se posiciona como alguém em construção, deixando claro que, mais do que qualquer disputa externa, o maior confronto sempre será interno. O clipe é o mais introspectivo do projeto. O artista aparece sozinho em um espaço vazio que reforça a ideia de isolamento e reflexão. As cenas alternam entre ele diante de uma TV com imagem em VHS, que multiplica versões dele na tela, como se ele estivesse se encarando e dialogando consigo mesmo.
Encerrando o mixtape, “DEPOIS DO SHOW”, mergulha no pós-fama, trazendo o contraste entre excessos, rotina acelerada e relações afetivas atravessadas por esse lifestyle. Com um ritmo envolvente e refrão marcante, Brandão expõe as consequências de viver no auge, onde dinheiro, status e desejo caminham juntos, mas nem sempre encontram espaço para conexão real.
O clipe retrata essa vivência pós-show, dentro de um carro de luxo, a caminho de casa. Intercalado com registros de shows reais, o visual explora as duas faces da vida de um artista: de um lado as multidões, a energia do palco e o reconhecimento; do outro, o momento mais íntimo, quando ele está sozinho com seus pensamentos e seus problemas. Com a faixa, o artista finaliza o volume 2 reforçando tal dualidade, deixando no ar o preço de sustentar tudo isso.
FICHA TÉCNICA
Autores:
- Japonês – Brandão, Matuê, RZ
- Rockstar – Brandão, Desirré
- Depois do Show – Brandão, RZ
- Demais faixas – Brandão
Produção:
- Prod808ad
- Cheek
- Cassin
- Volt x!
- Neckklace
- Bilall Ukshini
- Syncro Syn
- Oliver Masing
- Scytherkid
- Dougbeats
- Saboia
- Jan Cala
- Rayoffkey
Mix e master: Brandão, RZ

