Boca Risonha
Carlinhos Brown e Felipe Poeta misturam marabaixo e música eletrônica no single “Boca Risonha”

“Boca Risonha” chega nas plataformas digitais

OUÇA

Entre fios, tambores e caminhos que cruzam o mapa do Brasil, o produtor e DJ Felipe Poeta colabora com Carlinhos Brown no single “Boca Risonha”, que chega às plataformas digitais. A faixa articula referências da cultura do marabaixo, ritmo tradicional do Amapá, com elementos de música eletrônica, propondo um diálogo entre práticas tradicionais e produção contemporânea.

O single também ganha ainda mais potência cultural com a participação de artistas ligados à tradição do marabaixo e do batuque, ampliando a força coletiva do projeto e reforçando a presença de vozes que mantêm viva a herança afro-amazônica. A gravação conta com as participações dos artistas amapaenses Ryan Newman, Jhimmy Feiches, Patrícia Bastos e Fineias Nelluty, que fortalecem o elo entre tradição e contemporaneidade da faixa.

Ao detalhar a dinâmica do processo de produção e as escolhas criativas feitas ao longo da criação da faixa, o produtor, DJ e idealizador do projeto, Felipe Poeta, comenta: “O processo criativo trabalhando com o Brown foi super leve, apesar de estar ao lado de uma lenda. Perguntei o que ele andava escutando e quais eram as referências recentes, e ele me contou que, além de estar sempre atento aos artistas novos, está muito focado nas próprias produções autorais e nos projetos de carreira, no que nasce da cabeça dele mesmo. Fiz esse exercício também: fiquei em casa, misturei sons da floresta com os beatbox do Carlinhos e com as stems que chegaram pra mim, já que também gravamos na Lapa. Acho que ali rolou o auge da originalidade pra nós dois”.

Sobre a construção da faixa e o diálogo criativo entre gerações, Carlinhos Brown afirma:

“Nessa faixa nos coletivamos. Busquei traduzir aos ouvidos uma ideia de um primitivo futuro, que passa pelo auxílio luxuoso de Felipe Poeta, para com a linguagem eletrônica a quatro mãos ideias rítmicas originais do batuque do quilombo do Curiaú junto às minhas. Nós nos demos muito bem e conseguimos fazer esse recorte. Felipe é essa juventude de um Brasil que acena para encontrar mais de 90% de floresta em pé, a possibilidade de erguer novas árvores e que elas sejam musicais. Que a estrada de terra que falta para nos ligar com o Amapá seja suas linhas melódicas, suas partituras, seus poetas, seus cantores e sua cultura afro-ameríndia-franco-brasileira. Que esse Brasil que organicamente se mistura também mostra nuances que nos norteiam para caminhos que precisam ser trilhados por uma cultura riquíssima. E encontrar, todos juntos, todos nós, traduzidos por esse som ancestral no hoje”.

No conteúdo e na construção musical, “Boca Risonha” toma como referência a cultura do marabaixo e do batuque e aborda temas relacionados à ancestralidade afro-amazônica, espiritualidade, quilombos e à relação do povo com o rio, a floresta e a memória coletiva. A letra cita localidades do Amapá e referências culturais associadas à formação histórica da região.

Sobre a expectativa de recepção do público, Felipe Poeta acrescenta: “Queria muito que o público tivesse a mesma curiosidade pelo marabaixo que eu tive durante essa expedição ao Amapá, gravando o documentário e produzindo essa faixa. A cultura do marabaixo é linda e diz muito sobre a música popular brasileira atual, não apenas pelo contexto, mas sonoramente mesmo. Se isso despertar curiosidade nas pessoas, acho que esse já é o maior impacto”.

FICHA TÉCNICA

  • Compositor: Carlinhos Brown
  • Produção Musical: Felipe Poeta
  • Intérpretes: Ryan Newman, Jhimmy Feiches, Patrícia Bastos, Fineias Nelluty

LETRA “BOCA RISONHA”

Amapá

África

Calçoene

Cutias

Ferreira Gomes

Itaubal

Laranjal do Jari

Macapá

Mazagão

Oiapoque

Pedra Branca do Amapari

Porto Grande

Serra do Navio

Vem a Mazagão

Ver sino dobrar

Ver um candomblé

Jejê e jexá

Sentir o coração

Se arrepiar

Com murta no céu

E o mastro no ar

(Refrão)

Ê zimba de barco

É zimba de barco

Ê zimba de baba ê

Coukran Marzagan

Cocar de Tupã

Vem cá, vem me ver

De pé com ipê

Do vento a Zumbi

No quilombo do Curiaú

Para o povo amazônida

O povo do mundo é parente

(Refrão)

Ê zimba de barco

É zimba de barco

Ê zimba de baba ê

Ô Nzingê…

Ô Nzingê

Ô Nzinga

(Refrão)

Ê zimba de barco

É zimba de barco

Ê zimba de baba ê

Vem cá florestAR

No meio do mundo andar

O rio quer te ver

E mata te abraçar

Vem cá, vem provar

Do meu mucajá

Na boca risonha

Do rio Amazonas

By redator

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