“Cria do Sol Quente”: novo álbum de Luana Flores une tradição nordestina e música eletrônica

Luana Flores

Artista lança álbum que une rabecas, beats eletrônicos e nomes históricos da música nordestina. “Cria do Sol Quente” chega no dia 2 de julho reunindo rabecas, beats eletrônicos e cultura popular nordestina num trabalho que posiciona Luana Flores como uma das vozes mais inventivas da nova música brasileira

A cantora, compositora e produtora paraibana Luana Flores lança no dia 2 de julho “Cria do Sol Quente”, seu primeiro álbum de faixas inéditas, distribuído pela Nikita Music. Com nove faixas que atravessam rabecas, beats eletrônicos, pífanos e percussões, o disco reúne participações de artistas de diferentes gerações e territórios, entre elas Cátia de França, Juliana Linhares, Jéssica Caitano e a argentina Chocolate Remix, construindo um trabalho que une memória afetiva, espiritualidade e cultura popular nordestina numa paisagem sonora singular.

A participação de Cátia de França na faixa “Encantarya” é um dos pontos mais simbólicos do disco. Multi-instrumentista com mais de 50 anos de carreira, a cantora e compositora paraibana foi indicada ao Grammy Latino em 2024 com o álbum “No Rastro de Catarina” e é considerada uma das grandes referências da música popular brasileira. O encontro entre as duas artistas conterrâneas traduz a dimensão geracional do projeto: uma mestra e uma herdeira, separadas por décadas, unidas pela mesma raiz nordestina.

“Cria do Sol Quente fala muito sobre pertencimento, origem e presença. Existe nele esse retorno para a criança, para a semente, para as memórias mais afetivas”, explica Luana Flores.

O lançamento chega num momento em que a música nordestina independente vive um ciclo de renovação e projeção nacional. Artistas que fundem ritmos tradicionais da região com eletrônica, pesquisa sonora e perspectivas contemporâneas têm conquistado espaço em festivais internacionais e editais de fomento, levando para fora do Brasil uma produção que vai muito além dos estereótipos do forró e do baião. Luana Flores é parte central desse movimento. O EP “Nordeste Futurista” (2021) rendeu a ela o prêmio de Novo Talento no SIM São Paulo e a colocou como a única nordestina na lista das 20 melhores beatmakers do Brasil, segundo a Rolling Stone. Em 2023 e 2024, levou o espetáculo homônimo à Europa, apresentando-se em festivais como o MIL, em Lisboa, e o MaMA, em Paris, como parte do Programa de Cocriação Brasil-França do SIM SP e Groover. É a partir desse acúmulo de experiências que “Cria do Sol Quente” nasce.

A produção musical, assinada por Luana Flores, Ramiro Galas e Chico Correa, mistura beats eletrônicos, rabecas, pífanos, percussões, samples e texturas orgânicas. Entre as faixas, “Guerreira de Lança Deluxe” amplia o diálogo latino-americano do disco com a participação da argentina Chocolate Remix, referência do hip-hop feminino na América Latina. “Alumeia”, ao lado de Juliana Linhares, cantora e compositora pernambucana reconhecida pela fusão entre MPB e eletrônica, mergulha numa atmosfera intensa e pulsante. “Ladainha do Mato”, com Jéssica Caitano, beatmaker e artista visual paraibana com quem Luana colabora desde os primeiros trabalhos, aproxima poesia falada, ancestralidade e força popular. “Siga Cygana”, parceria com o duo LuuL, explora o lado mais hipnótico e dançante do trabalho.

O álbum também reúne Tiquinha Rodrigues, percussionista e mestra da cultura popular nordestina, As Sabiaras, coletivo vocal ligado às tradições orais do Nordeste, além de Carolina Guimarães e Letícia Coelho, reforçando a dimensão coletiva da trajetória de Luana Flores. A capa, assinada por Agüa Karirí, Francisco Rio e Ga Olho, parte da imagem de um rádio-cassete colorido envolto por bordados e explosões de cor, propondo um diálogo entre estética analógica, fazer artesanal e imaginário das brincadeiras populares.

“Cria do Sol Quente” está disponível nas plataformas digitais pela Nikita Music.

Sobre Luana Flores

Beatmaker, DJ, percussionista, cantora e compositora natural de João Pessoa, Luana Flores desenvolve uma estética que ela define como “Nordeste Futurista”, fusão entre ritmos da cultura popular nordestina e o universo eletrônico. Premiada como Novo Talento no SIM São Paulo e única nordestina na lista das 20 melhores beatmakers do Brasil pela Rolling Stone, a artista já se apresentou em festivais na Europa e integrou o Programa de Cocriação Brasil-França 2023/2024.

By redator

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