Gostaria de escrever profundo, denso, bonito.

Escrever sobre cores da franja atrás da encosta, cores e sabores como manga rosa, gosto e sumo ou de uma peça do vestuário, como um simples calção de banho e um dia pra vadiar.

Quem sabe também escrevesse sobre uma onda no mar, num mar que não tem tamanho.

Ou sobre temas como construção e feijoada, dizer que estou chegando ou que um dia um índio descerá de uma nave sem especificar que agora ele só tem o dia 19 de abril.

Quem me dera ao menos uma vez escrever sobre essas coisas, uma casinha lá na Marambaia, uma tarde em Itapoã ou New York, New York.

Olho e vejo que já não somos tão jovens, mas bebida é água e comida é pasto e que o tempo passa, escrevem sobre Luiza, Ligia, Clara e Ana e Carol, Carol, Carol.

A verdade é que não escrevi sobre nada disso mas uma tigresa de unhas negras continua a caminhar num doce balanço a caminho do mar

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