dia da mulher

Mulheres dedicam 9,6 horas por semana a mais do que os homens a cuidados com pessoas e tarefas domésticas; Psicóloga explica os desafios

A mulher contemporânea vive um paradoxo na sociedade. Ao mesmo tempo em que celebra espaços conquistados, enfrenta diversas pressões, entre elas sobre sua saúde mental pelo acúmulo de funções. O cenário atual exige um malabarismo constante entre carreira, vida pessoal, casa e expectativas estéticas. 

De acordo com um relatório da ONG Think Olga, intitulado “Esgotadas: empobrecimento, a sobrecarga de cuidado e o sofrimento psíquico das mulheres”, 45% das brasileiras têm um diagnóstico de ansiedade, depressão ou outros tipos de transtornos mentais.

A psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Giorgia Ocinschi, explica que as conquistas das últimas décadas trouxeram benefícios e também complexidades emocionais. 

“As mulheres hoje ocupam diferentes espaços sociais, profissionais e afetivos, e isso representa avanços muito importantes. Porém, também traz muitos desafios subjetivos e emocionais os quais não lidamos no passado com a intensidade que temos na atualidade”, explica.

Dados do IBGE apontam que as mulheres dedicam 9,6 horas por semana a mais do que os homens a cuidados com pessoas e tarefas domésticas. Essa multiplicidade de papéis  e carga mental gera o que a psicóloga chama de “tensão interna”.

“Muitas vezes isso pode fazer com que surja uma tensão interna entre diferentes aspectos da identidade: o desejo de autonomia, a realização profissional e as relações afetivas que são significativas, por exemplo. Integrar tudo isso não é simples e gera muita sobrecarga emocional e uma sensação de insuficiência”, comenta a especialista.

A hiperconectividade também participa deste cenário e, segundo a psicóloga, transformou a percepção de sucesso e beleza em uma competição constante. “O mundo contemporâneo intensificou a expectativa de desempenho e a comparação de estilos de vida. Se comparar com alguém de fora é uma coisa que adoece, porque a vida do outro não é igual à nossa vida”, comenta.

Dicas práticas para cuidar da saúde mental

A saúde mental exige cuidado diário e um dos maiores pesos é a carga mental, o esforço invisível de gerenciar a logística da vida familiar e doméstica. Giorgia aponta algumas táticas que podem auxiliar na rotina:

Anote sempre à vista tudo o que puder: é essencial tirar os lembretes da cabeça e usar ferramentas externas, como agendas, post-its ou aplicativos.

Delegue demandas: a divisão de tarefas deve ser absoluta, eliminando o conceito de “ajuda” para estabelecer responsabilidades mútuas.

O poder do “Não”: aprender a impor limites no trabalho e nas relações pessoais é um ato de preservação. O e-mail enviado fora do horário pode, e deve, esperar.

Um dos pontos centrais para a manutenção da saúde mental é a coletividade. Giorgia Ocinschi destaca que a mulher não deve tentar resolver seus conflitos isoladamente. “Quando se tem uma rede de apoio, especialmente com outras mulheres, conseguimos ter uma dimensão maior do que está de fato acontecendo. Com isso, podemos separar o que está sendo fruto de comparação daquilo que de fato é o que queremos. Esse diálogo também favorece o acolhimento das necessidades e questões que as mulheres vivenciam”, reforça a psicóloga.

Essas redes permitem a troca de experiências e a construção de vínculos saudáveis, importantes para validar os sentimentos que a experiência de ser mulher no cenário atual gera. “O nosso maior desafio enquanto mulher no século XXI é entender que nós somos únicas e que cada uma dentro das suas possibilidades está fazendo o melhor que pode”, conclui Giorgia.

By redator

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