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Bruxismo: como a pandemia pode afetar os dentes

O bruxismo acontece quando começamos a ranger ou apertar os dentes involuntariamente, no decorrer do dia ou durante o sono, e é uma das primeiras manifestações clínicas do estresse

Ansiedade e estresse são problemas do cotidiano moderno. Porém, durante a pandemia, com a apreensão do momento e com o isolamento social, eles estão em mais evidência do que nunca. Isso pode ser visto pelo aumento dos casos de dentes quebrados, que ocorrem, na maioria das vezes, por causa do bruxismo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 40% dos brasileiros sofrem com a condição. Pode parecer um problema simples, ou trivial, mas a pressão recorrente nos dentes pode ter diversas consequências.

 “O bruxismo pode resultar em dores na mandíbula, ouvidos, pescoço e cabeça, ou em casos mais extremos, na quebra de dentes e até em problemas nas articulações do rosto”, destaca Rosely Cordon, professora e pesquisadora no projeto Mapas de Evidências Clínica de Saúde Integrativa BIREME/OPAS/OMS.

Segundo Cordon, o hábito de pressionar os dentes é uma espécie de válvula de escape para aliviarmos a tensão que se acumula no dia a dia. “Em momentos que geram medo e apreensão, como o que estamos vivendo desde o início da pandemia, ele pode se desenvolver, mesmo sem um histórico de ansiedade”, continua a especialista. 

Para o doutor Willian Ortega, cirurgião dentista especialista em ortodontia e professor da Facial Academy, além das causas já citadas há fatores genéticos que também podem contribuir com o agravamento do bruxismo.

 “É impossível saber o que acontece com nosso corpo quando dormimos, por isso muitas pessoas nem sabem que sofrem deste mal e só acabam tomando conhecimento quando alguém comenta que elas rangem ou fazem algum barulho com os dentes enquanto dormem”, alerta Ortega.

O bruxismo é um ótimo exemplo de como uma condição, que aparentemente afeta apenas a região da boca, envolve, na verdade, o organismo como um todo e como isso reflete no tratamento da odontologia integrativa.

A recomendação dos profissionais é de que sejam feitas sessões de laserterapia que atuam contra a dor e investigar o motivo que levou ao desenvolvimento do bruxismo, tratando a causa, como o estresse por exemplo.

“A laserterapia pode acontecer em conjunto com a Medicina Integrativa e Complementar, por meio de métodos que relaxem a mente e corpo, como mindfullness, meditação, aromaterapia, yoga, biodança, musicoterapia, ou qualquer outra prática que seja eficaz para o paciente”, diz Rosely Cordon.

Outro método que pode contribuir para o controle do bruxismo é o uso das placas de acrílico. “Elas são indicadas na maioria dos casos. O dispositivo para dormir é feito sob medida para encaixar entre os dentes protegendo-os do impacto. Apesar de não ser a cura, as placas auxiliam muito na melhora dos sintomas”, complementa o doutor Willian.

Por isso é importante sempre consultar um especialista para que após a conclusão do diagnóstico a melhor forma de tratamento seja indicada.

Rosely Cordon –  Membro do Centro de Excelência em Prótese e Implante da Faculdade de Odontologia da USP e pós-graduada em Bases da Medicina Integrativa pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.

Willian Ortega –  Graduado pela UNIPAR (Universidade Paranaense), especialista em Ortodontia e Pós- Graduado em Harmonização Orofacial. Diretor professor da Facial Academy. Especialista em Implantodontia pela Uningá. 

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