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Dia das Crianças: o limite para o uso dos aparelhos digitais e o livro como aliado

Por Eduardo Villela

É fato que a tecnologia teve e tem uma contribuição enorme durante esse período de pandemia facilitando o trabalho remoto e o acesso de crianças e jovens aos conteúdos escolares. Além de trazer muita praticidade para o dia a dia, os aparelhos móveis, por exemplo, já se tornaram essenciais. Não desgrudamos mais deles, às vezes nem para ir ao banheiro. Mas qual seria o limite do uso dos aparelhos digitais na educação e na rotina das crianças, e como o livro pode ser um grande aliado?

A Organização Mundial de Saúde (OMS), em seu guia com orientações para crianças de até cinco anos, diz que, antes dos dois anos, não é recomendável o contato com aparelhos eletrônicos. E após essa idade, o ideal é que os pequenos fiquem no máximo uma hora por dia em frente ao televisor ou smartphone. A exposição aos aparelhos digitais muito cedo na vida dos pequenos pode prejudicar algumas habilidades, como já vimos em alguns estudos. Cito, como exemplo, a socialização, uma vez que a criança passa mais tempo no aparelho e esquece de interagir com a família. Como as crianças possuem uma imaginação muito fértil, o livro, além de ajudar no desenvolvimento das habilidades cognitivas, estimulando o raciocínio e a capacidade de refletir sobre os diversos assuntos, também fortalece o vínculo entre pais e filhos.

É importante estar atento a como as novas tecnologias interferem na percepção da realidade. O excesso de propagandas existentes nos meios de comunicação online, por exemplo, pode gerar desejos de consumo e frustração.

Fazer uma criança se interessar pela leitura pode ser uma tarefa desafiadora, principalmente no mundo de hoje, onde elas estão cercadas por telas o tempo inteiro: o colorido da televisão e do celular, as músicas “chicletes” dos jogos, os vídeos com desenhos no Youtube… Tudo isso é muito convidativo e cativa a atenção das crianças. Por isso, é importante que o livro oferecido a elas seja convidativo também. Livros com páginas em pop up, coloridos e com histórias menores, mas interessantes, podem ser ótimas opções para atrair os pequenos para a leitura. Caso essas obras continuem não chamando tanta atenção, uma boa alternativa seria unir tecnologia e literatura. Para incentivar a leitura em crianças que mostram grande interesse em tecnologia e não gostam tanto de ler no tradicional livro de papel, uma opção são os leitores digitais, como o Kindle, pois não prejudicam a visão pelo uso e também são porta de entrada para novos hábitos.

A introdução do hábito da leitura na primeira infância e o incentivo dos pais serão sempre fundamentais. As crianças se espelham nos pais, por isso precisam desse exemplo e estímulo positivo. Sabemos que hoje em dia é impossível ficar sem um smartphone, que ele é necessário e que se tornou fonte de trabalho e renda de muitos. Porém conseguimos entender e podemos fazer com que as crianças também entendam que é necessário haver limites para o uso de telas. O fato é que vale muito a pena despertar nas crianças o hábito da leitura de livros pois ele é o melhor meio para desenvolver o pensamento crítico, a imaginação e o entendimento do universo no qual elas vivem.

Sobre o book advisor – Eduardo Villela, que trabalha há mais de 16 anos com escrita e publicação de livros – Graduado em Relações Internacionais, cursou mestrado em administração, ambos na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica). Trabalha com escrita e publicação de livros desde 2004, já lançou mais de 600 livros de variados temas, entre eles comportamento e psicologia, gestão, negócios, universitários, técnicos, ciências humanas, interesse geral, biografias e ficção infanto-juvenil e adulta. Trabalhou como editor de aquisições de livros universitários e de negócios na Editora Saraiva, editor de livros de negócios na editora Campus-Elsevier, gerente editorial de todas as linhas de publicação na Editora Gente e copublisher e diretor comercial na Editora Évora.

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