Gravidez, medicamentos não indicados e parto

Ao descobrir a gravidez mil coisas passam pela cabeça da futura mãe, e quando a ficha cai, começam os procedimentos de rotina na vida da grávida, uma bateria de exames são pedidos no Pré-Natal e são de extrema importância para a saúde da gestante e do bebê. Muitas mulheres têm receio de praticar atividade física durante os nove meses de gestação, mas a verdade é que a gravidez não é uma doença, é apenas um período da vida da mulher em que ocorrem transformações momentâneas.Segundo o ginecologista, Dr. Lucas Rebelo as grávidas não precisam ter medo de realizar exercícios pois devem cuidar da alimentação e praticar exercícios físicos.

Segundo o médico, a prática é muito positiva para o pré e pós-parto, pois a mãe se sentirá melhor, poderá melhorar a postura, a respiração e a circulação sanguínea, além de fortalecer a musculatura pélvica, o que certamente ajuda na hora do parto. Os exercícios também ajudam na perda de peso pós-parto, embora a alimentação seja fundamental. Dentre os exercícios mais recomendados estão a hidroginástica, pilates e alongamento, mas sempre com acompanhamento de um profissional de educação física e um médico.

As mulheres podem praticar atividades do início ao fim da gravidez, apenas com o cuidado durante o primeiro trimestre e priorizando a atividades de baixo risco, para quem já praticava antes da gestação, o ideal é diminuir o ritmo do treino, podendo seguir com o cronograma habitual, reduzindo a carga, a intensidade e a velocidade, de acordo com a evolução da gravidez.

Uma das principais recomendações para esta fase são os alongamentos, pois ajudam a proteger a liberdade de movimentos, evitam lesões musculares, aliviam a tensão física e mental, mantém os músculos e articulações fortes e flexíveis para um parto seguro e também podem aliviar as dores comuns da gravidez. A realização de atividade física ajuda a prevenir o excesso de peso do bebê, pois mantém sob controle os níveis de açúcar no sangue, evitando o surgimento de diabetes gestacional e diminuindo a oferta de açúcar que vai para o bebê.

Entre os exames de rotina indispensáveis na gravidez está a detecção do Estreptococo B, também conhecido como “exame do cotonete”onde a coleta do material vaginal e retal é indolor e geralmente é feita entre a 35ª e 37ª semana de gestação. O resultado do exame sai em poucos dias.

Segundo o ginecologista e obstetra Dr. Elvio Floresti Junior, o Estreptococo B é um tipo de bactéria comum na flora intestinal e que frequentemente atinge a região genital feminina. Apesar de sua localização, a bactéria não é classificada como uma DST e em adultos saudáveis o estreptococo B não causa nenhum problema, mas as gestantes devem ficar atentas já que uma em cada três grávidas carregam essa bactéria.

Não há risco para a mãe nem para o bebê enquanto ele estiver dentro da barriga, porém quando o resultado do exame é positivo, é necessário que no período de trabalho de parto o médico esteja ciente para administrar o uso de antibiótico via endovenosa algumas horas antes do parto normal para que não haja riscos da bactéria chegar até o bebê na hora do nascimento.

Já nos casos de cesárias, o obstetra vai avaliar a necessidade do uso ou não do antibiótico. Há locais que o procedimento padrão é medicar toda mulher que não tiver o exame, outro procedimento comum é o médico decidir aplicar o antibiótico na mãe em caso de parto prematuro ou no caso de ruptura da bolsa.

Para o recém-nascido, o estreptococo tipo B pode causar a sepse neonatal precoce, uma infecção que afeta o sangue e que pode ser muito perigosa, mas também pode ocasionar outras doenças como pneumonia e meningite na primeira semana de vida. O tratamento com antibióticos só é eficaz na prevenção da infecção se for feito algumas horas antes do parto.

Durante a gravidez também é extremamente importante  prestar atenção nos medicamentos já que estudos realizadosdescobriram que alguns se utilizados durante a gravidez podem causar defeitos congênitos graves, tanto para gestantes quanto para mulheres no período de amamentação. Os exemplos mais conhecidos são a talidomida, que tem efeito anti inflamatório para o HIV e hanseníase, e a isotretinoína, usada para tratamento de acne grave. Além delas, há outras substâncias que são igualmente prejudiciais.

De acordo com a ANVISA, que publicou na portaria/resolução 1548/2003 o seguinte sistema de classificação, os riscos potenciais de uma determinada droga para o feto recebeu a classificação para cada medicamento:

Categoria Definição  Risco à saúde Na prática
A Estudos controlados em humanos demonstraram nenhum risco fetal

 

Não há

 

Seguro: dano fetal remoto

 

B Estudos animais não mostraram risco, mas não foram realizados estudos controlados em humanos

 

Não há evidência de risco no ser humano Risco não confirmado e medicamento provavelmente seguro, com benefício maior que risco

 

C Efeito adverso em animais, mas não foram realizados estudos controlados em humanos

 

Risco não pode ser afastado Usar somente se o benefício compensar o risco

 

D Evidência de risco em fetos humanos Evidência positiva de risco Risco maior que benefício, portanto utilizar somente em situações de exceção, como Risco de morte iminente da gestante ou doença grave sem opções mais seguras ou eficazes

 

X Há risco fetal que claramente excede qualquer benefício potencial para a gestante

 

Contraindicada na gravidez em qualquer situação

 

Risco muito maior que benefício: nunca utilizar

 

Para a ginecologista e obstetra, Dra. Patrícia de Rossi, a conversa com o médico é fundamental para que a gestante e seu feto tenham a saúde assegurada, os perigos das chamadas drogas teratogênicas (passíveis de causar danos), são igualmente nocivas, alguns medicamentos podem causar desde morte (aborto ou óbito fetal intrauterino), malformações, restrição de crescimento fetal até deficiências funcionais, incluindo redução da capacidade intelectual. A ação teratogênica depende do estágio de desenvolvimento do concepto, dose/efeito e mecanismo de dano de cada agente.

Algumas drogas e os efeitos que podem causar:

  • ÁlcoolNão existe um limite seguro para o consumo de álcool durante a gravidez, já que ele pode causar uma Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). Ele é contraindicado em qualquer quantidade. EFEITOS: Feto pode ter alterações faciais, microcefalia (cabeça pequena), retardo mental, déficit de controle dos impulsos, hiperatividade e alterações neurocomportamentais.
  • Anticonvulsivantes (antiepiléticos) A própria epilepsia parece aumentar o risco de lesões. Mulheres que pretendem engravidar devem informar o médico para que um ajuste seja feito ao esquema de tratamento, com medicamentos mais seguros com doses menores. Recomenda-se suplementação de ácido fólico e controle do nível da droga no sangue ao longo da gravidez. Os medicamentos que devem ser evitados são: hidantoína (fenitoína, Hidantal), fenobarbital (Gardenal), ácido valpróico (Depakene) e carbamazepina (Tegretol). EFEITOS: Alguns medicamentos desta categoria estão associados a malformações fetais.
  • Anti-hipertensivos da categoria inibidores da ECA (captopril, enalapril) – São considerados teratogênicos no segundo e terceiro trimestre da gravidez, podendo causar danos irreversíveis. EFEITOS: Restrição do crescimento fetal, redução do líquido amniótico e sofrimento fetal.
  • Retinoides sistêmicos (isotretinoína, acitretina) – São os mais potentes teratógenos conhecidos em humanos. A isotretinoína (Roacutan) é utilizada no tratamento da acne cística severa e resistente a outros tipos de terapia. A acitretina (Neotigason) é prescrita para pacientes com psoríase e outras doenças graves da pele. EFEITOS: Os derivados da vitamina A, usados por via oral, podem causar graves defeitos na face, nas orelhas, no coração e no sistema nervoso do feto.
  • Misoprostol – O uso no primeiro trimestre da gravidez pode causar diversos danos, isso se a gestação não for interrompida, o que é comum. Essa síndrome causa perda total ou parcial dos movimentos dos músculos da face e dos olhos, levando a características como a ausência de expressões faciais (‘face em máscara’), dificuldade para fechar os olhos e estrabismo. EFEITOS: Os efeitos teratogênicos mais observados são redução dos membros, lesões variadas no cérebro, retardo mental e paralisia de nervos cranianos (conhecida como Síndrome de Moebius).

 

 

 

É sempre bom lembrar que durante a amamentação também é preciso ter cuidado com os medicamentos, há uma classificação de Hale, de 2004, semelhante à do FDA americano, que classifica o risco dos medicamentos, os produtos são divididos em quatros grupos, que vão desde medicamentos seguros para uso durante a amamentação até os totalmente contraindicados. O efeito deles é sobre o lactente ou o suprimento lácteo (composição e quantidade do leite materno).

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